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domingo, 27 de dezembro de 2009

OS MELHORES DE 2009.

Fim de ano, e junto com ele os sites e blogs na internet junto com as revistas nas bancas mandam sempre aquelas listas dos “melhores do ano”. No caso deste fim de 2009, os sites devem quem sabe mandar listas dos melhores da década ou coisa assim. Então são as listas dos melhores filmes do último ano ou dos últimos 10 anos, e listas de melhores bandas, músicas e o que mais vier, às vezes parece não ter fim.
Eu também queria fazer uma lista do melhores deste ano no cinema ou na música, mas acaba que neste 2009 devo ter ido ao cinema umas 12 vezes, e os discos que escuto nem sempre condizem com os lançamentos do momento. Então lembrei que como bom (ou ruim) virginiano que sou, tenho minhas próprias listas, a velha mania de catalogar as coisas, como por exemplo, os livros que leio. Tenho essa mania dês de 2004 acho, depois de um tipo de trato que fiz com um amigo na época. E não sei se influenciado pela lista dos 99 livros para 2009 que o poeta Amirton Alves escreveu, resolvi compartilhar com quem lê este blog a lista de meus livros lidos em 2009, o bom tempo que passei fazendo umas das coisas que mais gosto de fazer.
Neste 2009 surpreendemente acabei batendo o recorde de 2007 que foi 47 livros lidos e fui para 70 livros lidos no ano, um bom número até. Claro, o grande lance não são quantos livros você lê em um ano, mas sempre quais livros você lê, e como eles servem para você, como te transformam. As grandes mudanças sempre vêm das experiências na vida, mas passar um tempo deitado lendo um livro, também é uma boa experiência.
Então, sem muita enrolação, aqui vai a lista de meus 70 livros lidos em 2009. Vê aí se você também leu o algo que eu. Ano que vêm têm mais leitura. Então, bom ano novo para todos, nos vemos em 2010.
Poesia
Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo – Manoel de Barros
Minha Vida em Versos Livres – Hannah Abraão/Klycia Fontenele
La Vie Em Close – Paulo Leminski
A Báscula do Desejo – Carlos Augusto Viana
Ruínas do Silêncio – Floriano Martins
Poemas Escolhidos – Emily Dickinson
Eu e Outras Poesias – Augusto dos Anjos
Sombras de Mim – Evandro Cosme
IX Prémio Ideal Clube de Literatura – Vários Autores
Cantos de Rebeldia Amor e Nostalgia – Manoel Coelho Raposo
Psia – Arnaldo Antunes
Alguns, Alguma Poesia Recente do Ceará – Vários Autores
Simplesmente Drummond – Carlos Drummond de Andrade
Claro Enigma – Carlos Drummond de Andrade
Os Quatro Elementos – Francisco Carvalho, Jorge Tufic, Luciano Maia, Virgílio Maia
Solstício de Inverno – Álvaro Pacheco
Quintana de Bolso – Mário Quintana
Taquara Rachada – Dora Ribeiro
A Palavra e a Palavra – Horácio Dídimo
Poesia Reunida – Martha Medeiros
Poemas Rupestres – Manoel de Barros
Um Poeta na Cidade e no Tempo – Moacyr Felix
As Metamorfoses – Murilo Mendes
O Impostor – Ronaldo Bressane
O Herói Hesitante – Danislau Também
Últimos Poemas (O Mar e os Sinos) – Pablo Neruda
Melhores Poemas, Paulo Leminski – seleção de Fred Góes e Álvaro Martins
A Fábrica do Feminino – Paula Glenadel
O Lacre do Silêncio – José Telles
Conto
Histórias de Amor – Adolfo Bioy Casares
Ofos – Carlos Emílio Corrêa Lima
O Cortejo do Divino e Outros Contos Escolhidos – Nélida Piñon
A Saga dos Rodrigues – Daniel Arruda
A Estranha Máquina Extraviada – José J. Veiga
Parati Para Mim – Chico Matoso, João Paulo Cuenca, Santiago Nazarian
Você Deve Desistir Osvaldo e Outras Histórias Escolhidas – Cyro Martins
Estórias da Casa Velha da Ponte – Cora Coralina
Novela
A Volta do Parafuso, seguido de Daisy Miller – Henry James
A senhora do Gelo – Fernando José Karl
A Piscina da Mansão dos Hoopers – Fernando José Karl
Romance
Lolita – Vladimir Nabokov
As Meninas – Lygia Fagundes Telles
A Sangue Frio – Truman Capote
O Sol Também Se Levanta – Ernest Hemingway
O Jogador – Fiódor Dostoiévisk
Pedra e Flor – Cleudes Pessoa e Klycia Fontenele
Branco Neve, Vermelho Rússia
– Dorota Maslowska
Ambição no Deserto – Albert Cossery
As Virgens Suicidas – Jeffrey Elgenides
Sombras de Reis Barbudos – José J. Veiga
Mar Morto – Jorge Amado
1933 foi um Ano Ruim – John Fante
Meia Vida – V.S. Naipaul
Os Mímicos – V.S. Naipaul
Vestido de Flor – Carlos Eduardo Lima
Madame Bovary – Gustave Flaubert
A História de Fernão Capelo Gaivota – Richard Bach
Longe é um Lugar Que Não Existe – Richard Bach
Factotum – Charles Bukowski
Buddy Bolden’s Blues – Michael Ondaatje
Viagem ao Centro da Terra – Júlio Verne
Canoas e Marolas – João Gilberto Noll
Teatro
Romeu e Julieta – William Sakespeare
História
Brasil: Terra à Vista – Eduardo Bueno
Hans Staden, Duas Viagens ao Brasil – Hans Staden
Entre o Futuro e o Passado, Aspectos Urbanos de Fortaleza (1799-1850) – Antonio Otaviano Vieira jr.
Espiritismo
Mediunidade – Carlos A. Baccelli e Odilon Fernandes
O Outro Lado da Vida – Sylvia Browne com Lindsay Harrison
Cinema
O Que é Cinema – Jean-Claude Berbardet
Música
Rumo à Estação Islândia – Fabio Massari

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

NEAL CASSADY ROUBOU MEU MAVECO ENQUANTO EU ESTAVA COM AS VADIAS DO JAMES BROWN!!!

Acabei de ver que dia 03 deste mês de Outubro que já vai começar, vai ser o lançamento do novo livro do Ricardo Carlaccio; "Dois Minutos de Gasolina Para a Meia Noite". Como está escrito no cartaz virtual aí, vai acontecer no Sebo do Bactéria. Se eu morasse por aquelas bandas, mesmo com a liseira que me encontro no momento eu iria aparecer para comprar o livro. Como estou bem distante o negócio vai ser pedir via correio. Como está escrito em seu blog Neal Cassady Roubou Meu MavecoO livro tem 84 págs no formato de 12 x 18 cm e custa $$$$ 10 reais. Pra comprar, vai aí meu e-mail: ricardocarlaccio@hotmail.com". Para conhecer seus contos você pode vir em seu blog de contos e outras sacanagens As Vadias do James Brown. Mesmo com a distância vamos nessa, porque Neal Cassady Roubou Meu Maveco enquanto eu estava com As Vadis do James Brown.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O FIM DE TODOS OS SONHOS.

Finalmente aqui está um homem que não tem medo da emoção”, isso quem dizia era o velho Charles Bukowski, fã do escritor John Fante, e que depois de conseguir certa notoriedade dentro do meio editorial trabalhou duro fazendo a cabeça de seus editores para publicarem as obras do escritor. Conta-se que Bukowski exigiu a sua editora que reeditasse romances de Fante como condição para continuar publicando suas obras por tal editora. E quem era Charles Bukowski, quem ele pensava que era para exigir tal coisa a seu editor? E quem era John Fante, para ser reeditado via olhares dos outros já que em vida não conseguiu tanta notoriedade assim? Quem eles eram?! Porra, eram escritores! E escritores escrevem e pensam que escrevem, e escrevem mais ainda por causa disso e é isso que fazem, é isso que os salvam da maldita vida comum, é isso que é o paraíso para eles, e o inferno também. Porque não acreditam em vida pós-morte, se não, não estariam trabalhando tão profundamente tentado deixar suas marcas neste mundo de esquecimento em que vivemos. Eles eram escritores, e escrever foi aquilo que lhes salvavam.
E o que nos salva, nós homens e mulheres comuns? O que nos salva da vida e do cotidiano de todos os dias?
Finalmente aqui está um homem que não tem medo da emoção”. Realmente, isso é verdade, e ficou mais claro para mim depois que li 1933 Foi um Ano Ruim, livro que nem foi publicado enquanto Fante era vivo, e que só chegou aqui no Brasil nos anos 80, e que só me caiu nas mãos em Julho deste ano, depois de ir a um show que eu nem queria ir e esperar uma hora embaixo de chuva por uma cantora que eu nem queria ao menos ver ao vivo, e depois da cantora subir no palco e cantar três músicas eu ter que sair e passar uma noite esperando para realmente chegar em casa. Encontrei o livro em uma banca de revistas aberta em plena meia noite de sábado, banca de um velhinho que me olhava o tempo todo de modo desconfiado como se eu fosse roubar o livro que eu olhava como se fosse um achado, um tipo de mapa do tesouro. De toda forma foi um mapa, um mapa que levava para dentro de mim.
Em 1933 Foi Um Ano Ruim, John Fante conta de sua forma autobiográfica a estória de Dominic Molise, um adolescente muito próximo de completar 18 anos, filho de um pedreiro que há sete meses não trabalha e passa os dias dentro de um bar jogando sinuca para ganhar algum trocado para colocar dentro de casa, filho de uma mãe que passa os dias rezando para que Nossa Senhora traga um futuro melhor e o marido para dentro de casa. Dominic, neto de uma avó ranzinza que só pensa em como a América é a destruição do mundo e sonha em voltar para seu país de origem, sua casa. Dominic, irmão de um garoto de 15 anos que sonha em ser herói de filmes de caubói. Dominic, irmão de uma garota que sonha em ser freira. Dominic Molise, que sonha em se tornar jogador de baseball e que pouco a pouco é destruído pela realidade. Um sonhador, vindo da família de sonhadores, pessoas comuns que fazem este mundo continuar rodando e que por muitas vezes assistem na primeira fila ou em camarotes desorganizados seus próprios sonhos serem destruídos dia pós dia para que este mundo continue rodando e que suas vidas continuem seguindo, porque seguir é a única coisa que se pode fazer, já que desistir é visto pelos outros como caminho mais fácil e assim mais rêpuguinante.
Finalmente aqui está um homem que não tem medo da emoção”. Realmente, um homem que não tem medo da emoção, de demonstrar emoção, sua própria emoção, e de mostrá-la aos outros. Fante, como depois o velho Bukowski, os dois escreviam retirando coisas de suas próprias vidas, livros com dados autobiográficos, vidas contadas em livros para todos no mundo ler. Eles escreviam com o que tinham, com o que sabiam, sobre o que sabiam escrever, suas próprias vidas. John Fante usava sua vida para contar suas estórias, e contar estórias é tudo o que um escritor tem a fazer, a partir daí quem lê vê o que quer ver, mais um escritor só têm isso para fazer, contar estórias, nada mais além disso. É isso o que os salva, é isso que os salvam do desaparecimento que existe dentro dos dias comuns. É isso que os levam para o paraíso.
E o que nos salva de nossos dias tão comuns? O que te liberta, o que te salva de você esquecer que você é você e não um outro que querem que você seja? O que te liberta deste mundo de esquecimentos que nos soterra diariamente e por vezes tira os sonhos de quem sonha?
Bom, uns bebem, outros fumam, uns jogam, outros fodem. Existem os que trabalham e outros que finge estudar. E eu não sei você, mas eu, eu leio.


1933 Foi Um Ano Ruim – 1933 Was a Bad Year
John Fante
Tradução: Lúcia Brito
Editora L&PM Pocket
138 Páginas



quarta-feira, 12 de agosto de 2009

DISTÂNCIAS.

e. diz:
O que está lendo?
Carlozzzz diz:
"Ambição no deserto" do Albert Cossery
e. diz:
No conosco.
Carlozzzz diz:
É, tem muita gente que não o conhece. Li uma resenha sobre um outro livro deste autor; "As cores da infância", fiquei curioso, mas não encontrei. Encontrei o "Ambição..."
e. diz:
Tá gostando do livro?
Carlozzzz diz:
Sim, é bem interessante. Fala de amizade, amor, um pouco de luxúria, ambições, vida que segue e toma caminhos diferentes daqueles que você imaginava quando criança.
e. diz:

É o livro das nossas vidas.

É verdade, pode-se dizer que o livro "Ambição no Deserto" do escritor Albert Cossery é um livro de nossas vidas, é um livro que traz pedaços da vida de cada um.

Cossery tece uma trama que se passa em um emirado Árabe, entre Samantar, um homem que tem como prazeres na vida contemplar a própria vida e fazer amor com jovens adolescentes, Bem Kadem, um primeiro ministro, Hicham, um músico que canta pelo simples fato de ter prazer nisso e Shaat, um tipo de fora da lei, que usa o cinismo como arma quando conversa. Contando a estória destes 4 amigos de infância que se vêem distantes demais do que pensavam em se tornar quando eram crianças, Cossery fala do amor dos homens pelas mulheres, pelo sexo, pelo prazer sexual ou pelo simples fato de viver e se deixar viver até onde a vida possa levar. Fala do amor que circunda as amizades e da vida que toma caminhos opostos daqueles que tanto se sonha quando criança.
Viver é coisa de adulto, e viver a vida é algo por vezes tão difícil de fazer, por vezes quase impossível. Cada personagem do livro tenta viver sua vida da melhor maneira, enquanto um tipo de revolução se forma trazendo quem sabe mudanças para a miserável cidade onde moram, uma cidade esquecida até pelas cidades vizinhas, pelo simples fato de não trazer petróleo embaixo de suas terras. Neste contexto de pobreza, Cossery fala sobre as ambições humanas, os sonhos de riqueza, de poder e revolução. Enquanto Samantar se preocupa com bombas que são atiradas destruindo prédios públicos da cidade e assim trazendo confusão e incertezas retirando a paz que tanto era presente à cidade, Bem Kadem pensa que com essa possível revolução traga os olhos da humanidade para seu pobre emirado.
Ambição, poder, alguns dos sentimentos que movem as sociedades. Alguns falam que "Ambição no Deserto" é um livro sobre a resistência ao capitalismo, à globalização, ao capitalismo desenfreado e todas as promessas de uma boa vida repleta de felicidades que o dinheiro pode trazer. Tudo aquilo que pode ser extremamente vazio, mas que nos faz acordar todos os dias.
Albert Cossery nasceu no Cairo em 1913 e morou em Paris por muito tempo de sua vida em um mesmo quarto de um hotel em Saint-Germain-des-Prés. Amigo de muitos escritores e intelectuais, logo se tornou um dos grandes nomes da literatura francesa contemporânea com sua técnica que ganhou certa fama de “escrever uma frase por dia” como ele mesmo falava. Cossery que era um grande defensor da preguiça publicou oito livros durante sessenta anos de vida à literatura. Faleceu aos 94 anos em 22 de junho de 2008. Alguns de seus títulos como “Ambição no Deserto”, “As Cores da Infância” e “Mendigos e Altivos” foram publicados aqui no Brasil pela Editora Conrad, e você pode dar uma conferida nos preços e pacotes que a editora seleciona com os livros do autor.

Ambição no Deserto (Une Ambition Dans Le Desert – 1984) de Albert Cossery.
Editora Conrad.
Tradução de Dorothée de Bruchard.
247 páginas.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A PERDA DA INOCÊNCIA.

"Isso tudo, porém, é como caçar o vento. A essência dos suicídios não consistia em tristeza ou mistério, mas em simples egoísmo. As garrotas apossaram-se de decisões que é melhor deixar entregues a Deus. Tornarem-se poderosas demais para viver conosco, preocupadas demais consigo mesmas, visionárias demais, cegas demais. O que arrastavam atrás de si não era a vida, que é sempre vencida pela morte natural, mas a mais trivial lista de fatos mundanos: um relógio na parede marcando seu tique-taque, um quarto em penumbra no fim da tarde, e a afronta de um ser humano pensando apenas em si mesmo. Seu cérebro apagando-se para o resto, mas chamejante em exatos pontos de dor, feridas pessoais, sonhos perdidos. Todas as pessoas amadas retrocedem como se afastadas sobre uma grande superfície de gelo, reduzidas a pontos pretos que agitam os braços e já não se ouvem. E então a corda lançada por cima da viga, os soníferos despejados na palma da mão onde a linha da vida é longa e mentirosa, a janela aberta, o forno ligado, qualquer coisa. Elas nos fizeram participar de sua loucura, porque não podíamos deixar de repisar seus passos, repensar seus pensamentos, e ver que nenhum deles conduzia a nós. Não podíamos imaginar o vazio de uma criatura que encosta uma navalha nos pulsos e abre as veias, o vazio e a calma. E tivemos que lambuzar nossos focinhos em suas últimas pegadas, marcas de lama no chão, malas chutadas debaixo dos corpos, tivemos que respirar para sempre o ar dos quartos em que se mataram. No final, não importa quantos anos tinham ou o fato de serem garotas, mas somente que as amamos e que elas não nos ouviram chamar, ainda não nos ouvem, aqui em cima na casa na árvore, com nossos cabelos ralos e nossas barrigas moles, chamando-as para fora daqueles quartos aonde foram ficar sozinhas para sempre, sozinhas no suicídio, que é mais fundo que a morte, e onde nunca encontraremos os pedaços para tornar a juntá-las.
______
É dessa forma que Jeffrey Eugenides termina seu romance “As Virgens Suicidas”. Dessa forma Eugenides resume linda e emocionalmente a estória inteira do livro, em uma página apenas ele resume outras 205 páginas de uma estória bela, contada com um tom melancólico de perda, de quem perde um irmão, pai ou mãe, de quem perde um amigo, de quem perde a inocência ou a simples razão de viver, de continuar. De quem perde um amor.
As Lisbon tinhas 13 anos (Cecília), 14 (Lux), 15 (Bonnie), 16 (Mary) e 17 (Thereza)... Ninguém conseguia entender como o Sr. E a Sra. Lisbon haviam produzido filhas tão bonitas.
“As Virgens Suicidas”, primeiro livro de Eugenides foi publicado em 1993 e em pouco tempo ganhou adaptação para o cinema por Sofia Coppola, uma bela adaptação deve se dizer. No livro, o autor conta a história da família Lisbon, uma família americana nos anos 70, e das cinco garotas que precipitadamente decidem se retirar do mundo. Narrativa contada pelos garotos da vizinhança, os garotos que eram silenciosamente apaixonados pelas meninas e que continuaram por toda a vida. Uma paixão sem resolução, como nunca foi encontrado por eles a resolução para o mistério do que as garotas carregavam dentro delas, qual tristeza tinham, embora o livro inteiro seja uma procura por um rastro, um sinal do que existia dentro das adolescentes que decidiram se matar.
– Evidentemente, doutor – disse -, o senhor nunca foi uma garota de 13 anos.
E como foi escrito na contracapa do livro, “As Virgens Suicidas” não é um livro triste, realmente não. “As virgens Suicidas” é uma estória de amor, contada de uma forma bela, um pouco melancólica, porque sempre existe certo tipo de melancolia em perder a inocência, em perder o sentido de viver. Mas a estória contada por Eugenides que tão belamente tenta entrar no universo feminino de uma forma profunda através das garotas Lisbon, é uma estória de amor, de garotos que se tornam adultos e ainda apaixonados por garotas de suas adolescências, pelo que elas significavam, pelo gosto doce que é ser jovem, e o amargo que é perder tudo isso de uma hora para a outra.

As Virgens Suicidas - The Virgin Suicides
Jeffrey Eugenides
Tradução: Marina Colasanti
Editora L&PM com parceria com Editora Rocco.
206 páginas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

NA LUA.



Senhorita Klycia Fontenele lendo um trecho do livro Pedra e Flor, lançado terça passada na Literatura de Lua no Café da Lua Nova.
Muito legal, muito legal mesmo ter escutado da boca de quem viveu a estória na vida real, de quem transformou em ficção (Klycia) e de quem trouxe cores ao livro para amenizar as dores escritas no papel.




Cleudes Pessoa; quem viveu na carne a estória contada no livro. Geórgia Zaranza; quem trouxe cores as páginas da estória no livro. Nos autógrafos.
Flávia Oliveira, Carlos Alberto. Prestando muita atênção no que era dito.

Fernanda Meireles. Ganhando uma Pedra e Flor.





















domingo, 5 de abril de 2009

UMA SENHORA DO GELO.

Molhada ainda de marinhos ventos, a Casa de Água guarda a respiração dessa mulher que anda, num estado de vidência órfica, da varanda ao quarto; do quarto à sala de música; e dali ao sono. Atrás dos muros de todas as casas de Villa da Concha há sempre uma roseira-branca que desfolha a chuva. Olor fino de chá. A essência de Krishna: Krim. Dentro do sono da mulher que respira inicia uma outra Casa de Água – a do sonho – que vence as chuvas contrárias e navega ao longo de uma restinga onde, naquela duna, escutamos um espírito que pronuncia: “Os hindus costumam dizer que existem árvores que podem ser chamadas de Kalpvrakshas – senta-se sob elas e tudo o que se deseja é satisfeito sem intervalo de tempo”. Inspirado pelo dito oriental, deito sob uma oliveira e peço ao meu coração que nade num trevo de quatro folhas.”

Trecho da novela “A Senhora do Gelo” escrita por Fernando José Karl.
_____

Conheci a literatura de Karl quando li poemas seus na revista Coyote, e de imediato senti que teria que conhecer sua literatura. Depois de algum tempo e alguma insistência minha, Karl me enviou sua novela via e-mail para eu ler. Uma novela escrita em uma prosa poética inspiradora sobre um homem escritor do tempo, e uma mulher que mora em uma casa de água dentro de um vilarejo perdido em algum tipo de paraíso suspenso pela palavra, pelo sonho, pela lágrima.

Quem quiser, pode ler aqui a novela “A Senhora do Gelo” de Fernando José Karl, que também navega em seu suspenso blog Nautikon.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

TATUAGEM DE VAGABUNDO

Odeio ficar longe de mim.
...
Não sou de seu mundo: morro nele.
...
Ó corrupção! Onde estás que não me procuras?
...
Por trás de todo moralista autoritário se oculta um canalha.
...
Às vezes me surpreendo me olhando com os olhos de minha mãe.
...
A educação é subversiva.
...
A liberdade não deveria ser definida por causas externas.
...
É proibido não saber.
...
Quando você acha de perdeu tudo não é verdade: sempre haverá mais a perder.
_______

Quantos residem dentro de você e ainda desconhece?

A artista Pinky Wainer nos mostra um pouco do que existe dentro dela com colagens, desenhos, frases curtas e certeiras e citações de textos de outros escritores em seu livro Vendo Alma Vagabunda Com Tatuagem Del Che, Editora do Bispo. Livro de 2006 que só vim ler agora. Livro de arte quando eu já não sabia mais o que era arte contemporânea. A Editora do Bispo disponibilizou o livro em pdf, e você pode baixar para ler/ver aqui. Vale a pena para quem gosta de arte, ou não.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

99 LIVROS PARA LER EM 2009

Fim de ano chegando, e vem aquela velha mania de criar listas e mais listas de coisas a fazer em 2009. Amirtom Alves criou em seu blog Paredes Teto sua lista de 99 livros para ler em 2009, entre ficção e teatro, biografias e memórias, poesia, história e estudos literários, filosofia e psicanálise, ensaio e política. Prato cheio para quem gosta de ler. Confira.


sábado, 13 de dezembro de 2008

VAI VALÊNCIO.

Sempre perdido dentro de mim mesmo, acabo sempre atrasado nas notícias de última hora. Vim saber apenas hoje que o escritor Valêncio Xavier passou para o andar de cima. Autor de O Mez da Grippe Valêncio foi considerado um escritor que se segurava na lembrança, na memória, para compor seus contos, que por vezes eram caóticos, outras vezes calmos, jornalísticos, cinematográficos ou descritivos a ponto de fazer o leitor realmente ver ou sentir o que o personagem estava vendo ou sentindo. Valêncio criava seus contos colocando personagem e leitor em um tipo de labirinto escuro, sufocante, claustrofóbico. Comprei O Mez da Gripe há poucos dias e o li em dois instantes, sem imaginar que o autor tão cuidadoso com seus contos estava perto de chegar a seu fim carnal nesta existência.

Valêncio sofria de Alzheimer, essa terrível doença que faz com que aos poucos a pessoa perca a memória de uma forma cruelmente triste. Fica aqui o singelo desejo deste tão recente e falho leitor, de que Valêncio seja capaz de cada vez mais penetrar na lembrança, na memória das pessoas deste país tão coberto pelo esquecimento sobre seus escritores.

"Tiro Valêncio Xavier da estante.
Deito na cama que fiz.
As pessoas morriam de gripe
No mundo que eu mesmo quis."

Lourenço Mutarelli em O Cheiro do Ralo

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

UM ROMANCE INÉDITO DE CARLOS



E nesta próxima Sexta - Feira o escritor Carlos Emílio Correa Lima Vai lançar aqui no Forte Fortaleza seu novo romance Maria do monte - o Romance inédito de Jorge Amado, no Dragão do Mar, as 20 horas.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A MEMÓRIA DE QUEM VIVE EM HOSPEDARIAS

Há dessas reminiscências que não descansam antes que a pena ou a língua
as publique. Um antigo dizia arrenegar de conviva que tem boa memória. A
vida é cheia de tais convivas, e eu sou acaso um deles, conquanto a
prova de ter a memória fraca seja exatamente não me acudir agora o nome
de tal antigo; mas era um antigo, e basta.
Não, não, a minha memória não é boa. Ao contrário, é comparável a alguém
que tivesse vivido por hospedarias, sem guardar delas nem caras nem
nomes, e somente raras circunstancias. A quem passe a vida na mesma casa
de família, com os seus eternos móveis e costumes, pessoas e afeições, é
que se lhe grava tudo pela continuidade e repetição. Como eu invejo os
que não esqueceram a cor das primeiras calças que vestiram! Eu não atino
com a das que enfiei ontem Juro só que não eram amarelas porque execro
essa cor; mas isso mesmo pode ser olvido e confusão.
E antes seja olvido que confusão; explico-me. Nada se emenda bem nos
livros confusos, mas tudo se pode meter nos livros omissos. Eu, quando
leio algum desta outra casta, não me aflijo nunca. O que faço, em
chegando ao fim, é cerrar os olhos e evocar todas as coisas que não
achei nele. Quantas idéias finas me acodem então! Que de reflexões
profundas! Os rios, as montanhas, as igrejas que não vi nas folhas
lidas, todos me aparecem agora com as suas águas, as suas árvores, os
seus altares, e os generais sacam das espadas que tinham ficado na
bainha, e os clarins soltam as notas que dormiam no metal, e tudo marcha
com uma alma imprevista que tudo se acha fora de um livro falho, leitor
amigo. Assim preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher
as minhas.
_________

Convivas de Boa Memória - Dom CasmurroMachado de Assis

sábado, 25 de outubro de 2008

CANTADORES DE CONTOS

Caros amigos,
Recém-chegado do Rio e da Bahia, onde fui lançar meus três novos livros: "Virgílio Varzea: os olhos de paisagem do cineasta do Parnaso", "O Romance Que Explodiu" e "Maria do Monte, o romance inédito de Jorge Amado" (sucesso total e somente começando), convido-os para participarem da décima Zona Poética Liberada, sob minha curadoria e da poeta Ayla Andrade aqui no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza.

Entrem no youtube (em português) e digitem a frase "o romance que explodiu" para acessarem minha performance com o poeta Márcio-André na livraria do Cine Odeon Glossolalia pura para espectadores em um tempo em que ninguém lê, escuta ou presta atenção à literatura. Mas isso vai mudar, e já !... Com a completa explosão suicida do capitalismo ganancioso financeiro. Tempos áureos estão de volta. A Canhoeira das Eras e a Coluna de Clara Sarabanda retornam e retomam seus constantes novos rumos
Beijos e abraços
do Carlos Emílio C.Lima

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Voltando de viajem ao forte Fortaleza, o companheiro Carlos Emílio mandou essa mensagem avisando sobre o décimo ZPLZona Poética Liberada, que nesta edição irá trazer os escritores Leomackelene, AnnaK Lima, Dario Oliveira, Geísa Salgueiro, Filipe Teixeira e Ayla Andrade. Vai ser daqui a algumas horas, e eu tentarei ir. Tentarei.
Para quem não puder passar por lá, fique aqui no mundos invisíveis com a leitura de Carlos Emílio de um trecho de seu Livro “O Romance Que Explodiu”.


sábado, 20 de setembro de 2008

UM ROMANCE INÉDITO DE JORGE AMADO

Caros amigos,
Para mim está sendo uma grande honra lançar nacionalmente o meu romance “Maria do Monte, o romance inédito de Jorge Amado” – (Tear da memória Editora) na Fundação Casa de Jorge Amado, na cidade da Bahia de todos os Santos...
Abraços
do

Carlos Emílio C. Lima.
____________

Recebi essa do Carlos Emílio sobre o lançamento de seu novo livro. Você pode vir aqui e conferir o primeiro capítulo do livro antes de seu lançamento oficial. Leia mais.