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quarta-feira, 1 de abril de 2009

A INVISIBILIDADE CULTURAL SEGUNDO A INTUIÇÃO DE UM PARANÓICO CRÍTICO

INVISIBILIDADE CULTURAL
O estado de isolamento da literatura, da cultura do Ceará como um todo é tão intenso neste país que o único escritor contemporâneo citado pela grande mídia como cearense não reside no seu estado de origem há 30 anos: o médico Ronaldo Correia de Brito. Ele é praticamente quase um pernambucano da gema, pois reside mesmo é no Recife, contente, feliz e produzindo sempre por lá, sem nenhum vínculo com o Ceará, totalmente aderido ao movimento intensivo da cultura pernambucana. Caso morasse por aqui seria invisível. Ainda mais: em recente nota na Carta Capital, o Cidadão Instigado, grupo de música experimental, fortalezense visceral, foi chamado de recifense!E ficou por isso mesmo. Percebendo isso, a Secretaria de Cultura do Ceará vem realizando fóruns específicos com os artistas de todas áreas para reverter essa situação o quanto antes e de uma vez por todas. Dessas reuniões importantíssimas surgirão mapeamentos-de-estratégia para uma ação vital de modificação desse panorama de invisibilidade.

Intuição de um paranóico crítico
No plano editorial, nenhum escritor ou poeta cearense de qualidade, contemporâneo, vem sendo publicado por qualquer das grandes editoras brasileiras. Ana Miranda, que nunca viveu aqui-somente a infância e olhe lá - não conta. Agora, merecidamente famosa, veio refugiar-se na bela e inspiradora Prainha. Os mortos também não contam. Patativa do Assaré, Rachel de Queiróz, José de Alencar e outros poucosos restantes que ainda são publicados são todos do século XIX já que autores da mesma importância tais como Jáder de Carvalho, Moreira Campos, Aluísio Medeiros, Fran Martins, Durval Aires, Antonio Girão Barroso, Juarez Barroso, todos igualmente mortos, não são mais conhecidos por ninguém que freqüente as livrarias, os jornais, o rádio, a televisão, e a própria internet. Como explicar essa segregação real de nossa literatura e cultura no plano nacional? Haverá um plano maquiavélico midático de só comentar cultura brasileira até o estado de Pernambuco, que serve de ponto final, de muralha? E depois?

ASSIM NÃO DÁ!
E depois?Depois a mídia, as editoras pulam um espaço cultural de milhares de quilômetros, vão até Manaus, e pescam das profundidades do Rio Negro o talentoso, melodioso boto róseo Miltom Hatoum. Escritores cearenses que moram no RJ também não valem como prova de inserção na mídia, nas grandes editores. No caso, Adriano Espínola, por ex, já que uma escritora de enorme talento que mora há décadas no Rio de Janeiro como Maria Hilda Gouveia de Oliveira jamais é sequer mencionada. Exemplo novo concreto: nesse longa metragem de Helena Solberg e Marco Debellan, Palavra Encantada, nenhum grande letrista cearense como um Fausto Nilo, ou um compositor-cantor-letrista como Belchior, Ednardo, sem falar nos mais novos como o próprio Catatau, foi sequer convidado para participar dessa bela encenação cinematográfica que também, infelizmente é incompleta, omissa, e portanto, segrega mesmo parecendo não querer.Terminam o mapeamento novamente em Pernambuco com o Liminha e Lenine. Parece que existe mesmo um encantamento.

Não cometam Podas de Poesia uma outra vez
E quando forem fazer um filme sobre POESIA FALADA como o Chacal já está amplamente sugerindo num texto que escreveu-inseriu no site do Palavra Encantada na web entrem pela seção Notícias deste heterodoxo Cronópios-, se forem dessa vez de novo omitir nesse FILME o largo movimento Rodas de Poesia atuando desde 1999, o Massa-Nova, as Zonas Poéticas Liberadas as famosa ZPLS, o Jiriquiti, os Poemas Violados, os poetas da Praça do Ferreira e tantos outros daqui do Ceará, não haverá mesmo nenhuma outra explicação para esse desfato e desfeita do que a franca e honesta discriminação. Sistemática, geograficamente orientada. Essa omissão da palavra cantada cearense neste filme de Helena Solberg e cia prova no mínimo falta de cultura musical, de sensibilidade cultural. A omissão no filme de depoimentos-apresentações-perfomances de um Fausto Nilo, de um Antonio Soares Brandão, de um Ednardo e de um Belchior é simplesmente inaceitável! O Ceará foi guetalizado: ninguém mais entra , ninguém mais sai?

Carlos Emílio Correa Lima Barreto
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Estes textos originalmente foram publicados no café do site Cronópios. Os recebi via e-mail do escritor Carlos Emílio já faz um tempo, mas penso que ainda vale reproduzi-los aqui no blog para outros cearenses e para outros que daqui não forem e que ainda não leram.

sábado, 18 de outubro de 2008

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

"Grandes selos indie como Matador e Subpop estão prensando o trabalho de seus artistas em vinil como o seguinte plano: compre a bolacha e baixe o arquivo digital de graça no seu IPOD. Essa solução é perfeita para essa era de desespero em que as gravadoras vivem com a troca indiscriminada de arquivos pela internet. MP3s soam como comida requentada no microondas. Já os vinis trazem o peso dos instrumentos e o timbre da voz bem próximos ao original gravado em estúdio. E os CDs... Bem, esses já eram!"
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Essa notícia saiu na Revista ELEELA deste mês, que só veio me cair nas bancas terça passada. (Me fez lembrar de uma entrevista em que Lobão falava da volta dos vinis como um objeto mais presente nas mãos (e ouvidos) de quem gosta realmente de música).

A revista que passou por umas mudanças e agora está sobre o comando editorial de Piti Vieira trás também; Amy Winehouse popozuda no photoshop, uma boa entrevista com Peter Ellis - o inventor do viagra - sobre sua cria, uma mini entrevista com Natalie Mclennam – a acompanhante de Dois mil dólares a hora-, uma matéria de Ronaldo Bressane sobre depilação feminina, um conto erótico de Fakir, e é claro, belos ensaios de nu com as modelos Priscilla Dalacqua e Karen Lima.

Nota-se a diferença da revista com a entrada de Piti Vieira como editora chefe. Claro, que ELEELA ainda continua sendo uma ótima revista para se ler, mas nota-se a diferença. Senti falta do espaço dedicado à pornografia. ELEELA sempre vinha tratando o assunto não como muitos o vêem; mera putaria, mas sim como ele realmente é; uma arte. A entrada de Piti também trás a entrada de seus amigos para a revista (Bressane, por exemplo) e isso me faz sempre lembrar de certa desconfiança que tenho a aceitar projetos feitos com os amiguinhos. De toda forma, ELEELA ainda continua sendo uma ótima revista, vale a pena conferir suas ótimas matérias e belos ensaios.
Ah, e mesmo sabendo que para bom observador um detalhe basta, é bom reforçar que Mundos Invisíveis agora também conta com a colaboração de André Morais, um amigo que resolveu entrar nesta invisibilidade comigo.

domingo, 28 de setembro de 2008

ZERO ZERO

Encontrei este “santinho” vagando na Bezerra de Menezes num domingo quando vinha andando com a Ju. Rimos, rimos muito. Não se pode acreditar em uma coisa dessas. Mas o que esperar de uma cidade que elegeu alguns anos atrás como vereadora Deborah Soft?! Que até então nunca tinha tido história nenhuma com política, e sim com clubes de Strip Tease, e que nestas eleições que estão por vir, tem outra garrota de Strip, Adrielle Fatal. O que se esperar de uma cidade com candidatos a vereadores como esses, tão comédia? Ter a senhorita – diga senhora, ver foto – Kátia Heffner (PTB) como vereadora, é somente mais um prego na cruz da situação constrangedora de que ser cearense é ser “moleque”. E é com esse jeito “moleque”, que temos andado tão mau em tantos aspectos. É com esse jeito moleque de ser cearense cabeça chata, que não levamos quase nada a sério, nem mesmo a política. Senhorita Deborah Soft passou da vida da noite de roupas tiradas e shows de sexo explicito em boates para a vida de senhora da política com votos consideráveis, faria uma pesquisa mais detalhada se quisesse, mas não quero. E nossa Adrielle Fatal? Alguns dizem que ela não terá a mesma sorte. Eu discordo. Sorte é para quem quer ter sorte, e sendo assim, para poucos. Penso que ela será eleita. Eu nunca acreditei em política, nos dias atuais não acredito em mais nada. E sendo assim, nada mais justo que no próximo Domingo nas eleições para prefeito e vereador, o zero zero será meu numero de ordem, ou de falta de ordem. Eu não sou punk nem muito menos anarquista, eu só não acredito em política, em políticos, em promessas. Nunca acreditei, não darei chance que algum imbecil ganhe dinheiro as minhas custas. Meu dinheiro é meu, eu já tenho que vender (e agora pagar) para tê-lo. Não se deve dar muita chance que algum idiota passe quatro anos quanhando muito dinheiro trabalhando pouco. Mas pensando assim, não é isso que todos nós queremos? E pensando ainda assim, é até bem dado os cargos as meninas de Strip, elas já pegaram muito no duro para suportar essa vida. E essa vida por vezes é muito dura para ser suportada.