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terça-feira, 16 de junho de 2009

SOBRE CARTAS E PESSOAS.


Existe sempre alguma palavra dentro de nós, presa, escondida, nunca revelada. Existe sempre alguma coisa a ser dita sobre algo vivido, ou algo que se deixou de viver. Experiências, vida que segue sem pedir licença, o tempo que passa e as pessoas que se conhece e depois nunca mais encontramos no resto da vida. Um amor de uma noite, um amor de carnaval, um amor para sempre e depois o sempre como algo sempre a ser procurado, e nunca encontrado. O melhor amigo que você tinha quando era criança, o que era para ser para sempre e nunca mais foi encontrado. Existe sempre algo a ser dito, existe sempre algo para falar para alguém. Existe sempre tudo aquilo que eu queria te dizer, mas que nunca disse. A carta escrita e nunca enviada. A palavra nunca proferida. Tudo. Tudo que eu queria te dizer.
Tudo que eu queria te dizer é a adaptação para o teatro do texto com mesmo título da escritora Martha Medeiros, uma das boas vozes femininas da literatura contemporânea brasileira. Adaptação feita pelo grupo cearense Cia. Lai-tu. Adaptando o texto para o teatro o grupo trata da comunicação estabelecida entre as pessoas via cartas, o que você tem a falar. Essa comunicação entre missivistas que nos dias de hoje está cada vez mais distante e que para alguns parece tão irreal esperar uma carta, escrever uma carta. Por que escrever uma carta para alguém se você pode deixar tudo dito via recado de Orkut, Via e-mail?
A peça dirigida por Thiago Arrais, traz as atrizes Alexandra Marinho e Andréa Piol dialogando com os músicos Ayrton Bob Pessoa, Glauco Leandro e o público. Sobre os sentimentos guardados, tudo aquilo que por vezes se passa dentro, mas que por muitas vezes não é externado. Preconceitos, vazios, solidão, medo, força, arrependimento... Uma carta escrita para um amigo que já morreu. A carta que a mãe viva deixa explicando para os filhos como ela quer que seja depois que não estiver mais no mundo físico.
Uma bela peça bem encenada que me fez lembrar de muita coisa, de um tempo chamado antes, das várias cartas escritas e recebidas, da expectativa que já quase não existe mais em ir à caixa do correio e encontrar alguma carta, algum pedaço de alguém, algum pedaço de um coração deixado dentro de uma caixa de correio. Alguma coisa que não seja à conta do telefone, de luz, de água, do cartão... Alguma coisa mais humana, alguma coisa que possa salvar para algum tipo de humanidade. Uma peça que me fez lembrar de muitas pessoas, e como era bom conhecer pessoas por pedaços de papel.
Tudo que eu queria te dizer, teve apresentações no teatro Emiliano Queiroz, e agora está com temporada no teatro do Dragão do Mar com apresentação para a próxima sexta-feira 19 às 19h R$ 20,00/10, 00, e vale muito ser visto, tanto pelo texto, direção, atuações e música, quanto ao que a companhia está tentando fazer em criar um diálogo mais extenso e próximo entre eles e o público. É interessante a forma em que estão abertos a receber inclusive o público como co-produtores das peças.
Para mais informações quem quiser pode entrar em contato no endereço que a companhia tem, enviando cartas para Caixa Postal 2633 – Cep 60165-970 – Fortaleza – Ceará. Ou cialaitu@gmail.com
Escreva, existe sempre alguma palavra dentro de nós, presa, escondida, nunca revelada. Existe sempre alguma coisa a ser dita sobre algo vivido, ou algo que se deixou de viver. Experiências, vida que segue sem pedir licença, o tempo que passa e as pessoas que se conhece e depois nunca mais encontramos no resto da vida. Um amor de uma noite, um amor de carnaval, um amor para sempre e depois o sempre como algo sempre a ser procurado, e nunca encontrado. O melhor amigo que você tinha quando era criança, o que era para ser para sempre e nunca mais foi encontrado. Existe sempre algo a ser dito, existe sempre algo para falar para alguém. Existe sempre tudo aquilo que eu queria te dizer, mas que nunca disse. A carta escrita e nunca enviada. A palavra nunca proferida. Tudo. Tudo que eu queria te dizer.




















Tudo que eu queria te dizer
Cia. Lai-tu de Teatro
Elenco: Alexandra Marinho e Andréa Piol
Direção: Silvero Pereira
Direção Musical: Ayrton Bob Pessoa.
Música Original: Ayrton Bob Pessoa e Alan Mendonça.
Músicos. Ayrton Bob Pessoa e Glauco Leandro.
Figurino: Jô de Paula.
Cenário: Celina Hissa.
Iluminação: Walter Façanha.
Design Gráfico: Camila Campos.
Fotografia: Carol Veras.
Operadora de Luz: Luiza Emrich.
Produção: José de Ipanema.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

COMUNICAÇÃO CAÓTICA.

En Passant, peça escrita por Rafael Martins, trata dos gritos e das impossibilidades comunicativas no ser contemporâneo, o que se quer falar e o que não se consegue dizer a partir de palavras, o caótico que por vezes é se mostrar para alguém. Um homem e uma mulher que se conhecem nos balanços de uma praça em uma madrugada, o que eles teriam a dizer um ao outro? O que conseguem a partir de uma gagueira caótica é uma comunicação difícil com pensamentos atrapalhados, por vezes engraçados, outras horas tristes, melancólicos. Que ruído existe dentro de você sem que consiga externá-lo? Que grito guardado existe dentro de você? Qual seu som?
Dirigido por Jadeilson Feitosa que também atua junto com Milena Pitombeira, En Passant é um belo tipo de grito, uma gagueira, um balbucio onde as sensações pulsam do palco para quem está na platéia. Ficará em cartaz no BNB até amanhã, nos horários de 16h e 18h30. É bom não perder.
E para ler mais sobre a peça, venha no Teatro e Cia.
En Passant
Autor, criação de trilha sonora e fotografia: Rafael Martins.
Diretor: Jadeilson Feitosa.
Cenografia e figurino: Yuri Yamamoto.
Produção: Mário Alves.
Elenco: Jadeilson Feitosa e Milena Pitombeira.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

NA CIDADE, ÀS VEZES.

SOBRE AS CIDADES.

Está em amostra no Centro Cultural Banco do Nordeste a exposição “Rastilho”, que traz os três artistas André Komatsu (SP), Marcelo Cidade (SP) e Yuri Firmeza (CE/SP), com vídeos explorando a temática urbana.


Quantas cidades existem dentro de você? Você vive realmente na cidade onde morra?

Divagações, explorações nos centros urbanos, caminhadas, intervenções... A cidade como tema principal, a cidade como corpo, o ser e a cidade, o espaço urbano demarcado no corpo de quem vive na cidade. Com a curadoria de Paula Dalgalarrondo os três artistas mostram seus pontos de vista sobre assuntos urbanos, que por vezes tanto nos tranqüilizam quanto nos amedrontam. Vejam os vídeos “Oeste – Até Onde O Sol Pode Alcançar” e “Corpo Duro” de André Komatsu. A exposição ficará no BNB até 26 de Abril. Aproveite.

FANZINES.



Rever a exposição Rastilho me fez recordar que nessa semana desencavei algumas coisas do passado em um momento de rara nostalgia. Já que quase nunca sinto falta de pessoas, mas sim de épocas da vida, nesta semana relembrei dos tempos de criações “zinísticas” e desencavei do fundo de minha caixa com fanzines, muitos zines lançados aqui na Cidade Solar Forte Fortaleza. Um dos zines reencontrado foi este aí à cima “... Da Primeira Vez Era Cidade” da menina Lara Vasconcelos, que tinha como tema a cidade, alguns anseios sobre, questionamentos e pontos de vista.


AINDA SOBRE ZINES.

Eu tinha falado para mim mesmo que não gastaria mais tempo nem muito menos dinheiro para criar fanzines outra vez, mas por estes dias acabei caindo em tentação e terminei o “Entrada Livre”, zine que comecei a fazer a não sei quanto tempo atrás, mas só agora realmente terminei-o. Gastei algumas cédulas com cópias, mas acho que ainda farei umas mudanças. De toda forma, se um dos dois leitores ou um outro alguém que por acaso ou acidente ou indicação minha vier cair neste blog tiver algum interesse em fanzines e quiser um “Entrada Livre”, é só deixar algum comentário com endereço que mando o zine via correio. Ou esperem que um dia coloco aqui no blog mesmo.


AINDA SOBRE A CIDADE... E TEATRO.


Estão em cartaz no Teatro Emiliano Queiroz as peças “Tá Namorando! Tá Namorando!” e “Pornográficos”, ambas dirigidas por Yuri Yamamoto, nos sábados e domingos deste mês. E como Yamamoto é muito fera e mais ainda quando trabalha com textos de Rafael Martins (Pornográficos) é claro que irei ver e rever as peças.